quinta-feira, novembro 30, 2006

A ROSA DESFOLHADA


Tento compor o nosso amor
Dentro da tua ausência
Toda a loucura, todo o martírio
De uma paixão imensa
Teu toca-discos, nosso retrato
Um tempo descuidado

Tudo pisado, tudo partido
Tudo no chão jogado
E em cada canto
Teu desencanto
Tua melancolia
Teu triste vulto desesperado
Ante o que eu te dizia
E logo o espanto e logo o insulto
O amor dilacerado
E logo o pranto ante a agonia
Do fato consumado

Silenciosa
Ficou a rosa
No chão despetalada
Que eu com meus dedos tentei a medo
Reconstruir do nada:
O teu perfume, teus doces pêlos
A tua pele amada
Tudo desfeito, tudo perdido
A rosa desfolhada

Vinicius de Moraes

terça-feira, novembro 28, 2006

A TRISTE EXCEÇÃO


Sinto paixão sou apaixonada
Sofri abandono fui abandonada
Tenho vergonha sou envergonhada
Gosto do agito sou agitada
Ando sem camisa sou uma descamisada
Bebo até cair sou bebada
Tenho animo sou animada
Cometo abusos sou abusada
Estudei muito sou estudada
Estou com pressa sou apressada
AMO MAS NÃO SOU AMADA


Oceano
Djavan

Assim que o dia amanheceu lá no mar alto da paixão
dava pra ver o tempo ruir
cadê você? Que solidão!
Esquecera de mim?

Enfim,de tudo o que há na terra não há nada em lugar nenhum
que vá crescer sem você chegar
longe de ti tudo parou
ninguém sabe o que eu sofri

Amar é um deserto e seus temores
vida que vai na sela destas dores
não sabe voltar
me dá teu calor

Vem me fazer feliz porque eu te amo
você deságua em mim e eu oceano
e esqueço que amar é quase uma dor

Só sei viver se for por você!

segunda-feira, outubro 23, 2006

VIVIR SIN AIRE



Cómo quisiera poder vivir sin aire...
Cómo quisiera poder vivir sin agua...
Me encantaría quererte un poco menos.
Cómo quisiera poder vivir sin ti.

Pero no puedo, siento que muero,
me estoy ahogando sin tu amor.

Cómo quisiera poder vivir sin aire.
Cómo quisiera calmar mi aflicción.
Cómo quisiera poder vivir sin agua.
Me encantaría robar tu corazón.

¿Cómo pudiera un pez nadar sin agua?
¿Cómo pudiera un ave volar sin alas?
¿Cómo pudiera la flor crecer sin tierra?
Cómo quisiera poder vivir sin ti.

Pero no puedo, siento que muero,
me estoy ahogando sin tu amor.

Cómo quisiera...

Cómo quisiera lanzarte al olvido.
Cómo quisiera guardarte en un cajón.
Cómo quisiera borrarte de un soplido.
Me encantaría matar esta canción.

Maná

"Como queria voltar a esse tempo que a canção me remete onde tudo era perfeito no qual o "tudo" era pura e simplesmente ficção..."

quinta-feira, outubro 19, 2006

O ENTERRO...

Eu fico imaginando como deve ter sido
E me pergunto porque não me convidou
Mas a verdade é que não existe convite
Não pra essa ocasião
Convidar pra enterro é realmente não existe
Mas você podia ter dividido comigo
Me deixou aqui rezando pela recuperação
De quem já estava morto e enterrado

Quando estou só na escuridão do meu quarto
Fico a imaginar se alguma lágrima correu de seus olhos
Enquanto a terra cobria o melhor de nós o melhor de mim
Me pergunto se houveram flores e se você mesmo as colheu
Ou se aceitou a coroa impessoal da funerária

Fecho os olhos e tento reconstruir o momento
Fico vendo você se afastando
E voltando o rosto pra vê lo mais uma vez
Será que em algum instante houve arrependimento?
Será que pensou que eu devia estar ali?

Teria se descontrolado ao chegar em casa
Ao sentir a sua casa vazia o seu mundo vazio
Teria sentido o seu mundo vazio?
Ou sentiu alivio por se desfazer do excedente
Do que sempre transbordava por mais que tentasse conter

E o testamento onde foi parar?
Ele deixou algo pra mim
Algo que você se negou a me dar
Algo que você decidiu que eu não merecia ganhar

Porque ele não ele sempre tão generoso
Me deu de presente sem nada pedir
A razão de viver
Permitiu sem ao menos me conhecer
Que o acompanhasse no caminho rumo a felicidade

Ele nunca me deixaria aquilo que você me enviou com desdém
Aquela dor que não pertencia a ele
Nem a mim e nem a você
Então de quem era?De onde você a tirou?
Não sei mas agora ela é minha
E será eternamente minha
Tudo que você permitiu que ele me deixasse
Foi a dor essa imensa dor

Será que de vez em quando
Nos seus momentos solitários se lembra dele
Se lembra dos sorrisos mais espontâneos que ele te arrancou
Dos abraços bem apertados que só ele sabia dar
Da emoção de vê lo pela primeira vez
E de todas as vezes que o seu coraçao disparou
Com um beijo que era só dele
Será que seu coração alguma vez disparou?
Será que em algum momento sentiu saudade dele?

Você me tirou a chance de me despedir
Como muitos falam dar o ultimo adeus
Como eu falaria dizer o adeus
Porque adeus e só um o único
O primeiro e o ultimo

Você me tirou a chance de ver seu ultimo sopro
Seu ultimo sopro de vida
E eu que sou como São Tomé
Fiquei aqui a desacreditar
Você me tirou a chance de me libertar
A libertação incontestável que só a morte traz

E agora me veio na mente uma pergunta
Daquelas que a gente tem até medo de perguntar
Mas em meio a tantas duvidas...

Será que algum dia você ao menos tentou salva lo?

"Mesmo que todos me digam que morreu e mesmo não o vendo mais em parte alguma ele estará sempre vivo e gozando de plena saúde dentro de mim como no dia em que ele nasceu...Sem nenhum corte sem nenhum cansaço sem nenhuma dor"

sábado, setembro 23, 2006

SEM ESQUECER DAS FLORES

Eu nunca fui o tipo de pessoa que manda flores...Quer dizer eu nunca fui o tipo de homem que manda flores pois quando era menino sempre tinha uma flor na mão ao chegar em casa ou na escola e elas eram entregues a mamãe ou a professora.
Não me lembro do dia em que as flores desapareceram das minhas mãos e nem o motivo pelo qual isso se deu...Depois que cresci e comecei a trabalhar continuei a presentear as mulheres da minha vida comprei de tudo desde simples lembranças a extravagancias do universo feminino mas flores...Flores não...Nunca comprei nem mesmo uma rosa e não tinha me atentado a isso até que minha namorada se queixou com uma ponta de doçura e um lago de desilusão que levam a nós homens e mortais sermos capazes de qualquer desatino pra secar o lago e ficar só com a doçura...
E lá fui eu atrás de uma floricultura debaixo de uma forte chuva típica da primavera a me perguntar o porque de não ter gasto um centavo de todo o dinheiro que já recebi em um buquê de flores...Não sou aquele tipo materialista que acha desperdício de dinheiro comprar algo que morrera em alguns dias porque a beleza delas me encanta definitivamente me encanta e essa beleza é eterna...Mas então porque não consigo entrar e comprar um daqueles buquês...
Fiquei em frente a floricultura por mais de uma hora envolto ao meu drama todo pessoal e o vendedor veio ate mim com o intuito de me ajudar a escolher e eu fui logo contando o meu dilema ele me ouviu com toda a atenção e ao final estava sorrindo e eu comecei a me sentir um tolo...Percebendo a minha inquietação parou de sorrir e me olhou como se enxergasse a minha alma...Estava tão envolto em mim mesmo que só naquele momento olhei realmente o vendedor,um senhor de cabelos brancos que lhe dava um ar de dignidade sem soberba,ele me estendeu suas mãos e percebi que era mais que um vendedor era um floricultor e ainda enxergando minha alma disse:
-Eu também em toda a minha vida nunca gastei um centavo comprando flores as minhas primeiras mudas foram pegas secretamente de um jardim que me encantava...
-Você roubou?
-Não eu colhi...Existem alguns seres que não foram feitos para serem comprados e sim para serem colhidos...
-Como assim?
O senhor entrou e voltou com algumas mudas me entregou e continuou:
-Não faça perguntas isso é natureza nós não devemos interroga la somente aceitar
-Mas você esta falando de gente ou de flores?
-Há diferença?
Novamente os seus olhos enxergaram a minha alma percebeu o quanto ela se encontrava confusa e disse:
-Vá plante suas flores e deixe que do resto o universo se encarrega mas não esqueça que elas devem ser plantadas com amor pois se há amor até uma terra infértil floresce...


"Um vendedor de flores ensina aos seus filhos a escolher seus amores..." Ana Carolina

quinta-feira, agosto 31, 2006

O QUE HÁ

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

quarta-feira, agosto 23, 2006

EU DEVIA


Eu devia fechar todas as portas pra você
Mas abro meu coração
Eu devia desacreditar das suas estorias
Mas não duvido das suas palavras
Eu devia te mandar cala a boca
Mas te ligo pra ouvir sua voz

Eu já devia estar rindo de tudo isso
Mas ainda estou aqui chorando
Eu devia parar de ouvir a nossa musica
Mas a ouço varias vezes ao dia
Eu devia desejar que você sumisse
Mas passo horas a fio olhando suas fotos

Eu devia dar a volta por cima
Mas estou parada esperando você
Eu devia te odiar por tudo que você me fez perder
Mas te amo por tudo que me deu
Eu devia desistir de você
Mas sonho com o nosso reencontro

Eu devia deixar o nosso amor passar com o tempo
Mas continuo eternizando o em palavras...


Outro lugar

Cê sabe que as canções são todas feitas pra você
E vivo porque acredito nesse nosso doido amor
Não vê que ta errado, tá errado me querer quando convém
E se eu não estou enganado acho que você me ama também

O dia amanheceu chovendo e a saudade me contem
O céu já tá estrelado e tá cansado de zelar pelo meu bem
Vem logo que esse trem já tá na hora, tá na hora de partir
E eu já to molhado, to molhado de esperar você aqui

Amor eu gosto tanto, eu amo, amo tanto o seu olhar
Andei por esse mundo louco, doido, solto com sede de amar
Igual a um beija-flor, que beija-flor,
De flor em flor eu quis beijar
Por isso não demora que a historia passa e pode me levar

E eu não quero ir, não posso ir pra lado algum
Enquanto não voltar
Não quero que isso aqui dentro de mim
Vá embora e tome outro lugar
Talvez a vida mude e nossa estrada pode se cruzar
Amor, meu grande amor, estou sentindo
Que esta chegando a hora de dormir

Elder Costa

domingo, agosto 20, 2006

CONTO DE FADAS MODERNO

Data:18/08/2006 Horario:07:20 Local: Copacabana

Ela entrando na estação do metro Ele saindo Ela querendo chegar em casa Ele querendo chegar na praia Ela muito cansada Ele cheio de disposição Ela saindo do trabalho Ele matando aula na faculdade Ela portando nas mãos um livro de poesias Ele portando uma prancha...Um esbarrão o livro cai e uma folha voa... Ele pega o livro e pedi desculpas pela folha Ela sorri mesmo irritada Ele elogia seu sorriso Ela sorri novamente menos irritada...Os olhares se cruzam Ela desvia Ele não Ela louca pra ir embora Ele sem nenhuma pressa Ela constrangida Ele a vontade Ela ameaça seguir seu caminho Ele a segura pela cintura Ela ama que a segurem pela cintura Ele sente que a contrariou retira a mão e a convida pra tomar algo Ela recusa Ele insiste Ela recusa novamente Ele insiste novamente e diz que não vai desistir Ela desiste...Eles vão andando até a praia e sentam num quiosque Ela pede Cola Cola Ele água de coco Ela diz que odeia água de coco Ele odeia Coca Cola mas prefere não dizer Ela conta que passou a noite inteira acordada trabalhando Ele diz que também passou a noite acordado numa boate Ela pergunta se ele trabalha Ele diz que não só estuda e pergunta se ela estuda Ela diz que não que só trabalha e sorri Ele elogia novamente seu sorriso Ela diz que ele é o contrario dela Ele diz que opostos se atraem amassa a lata de Coca Cola vazia e encaixa dentro do coco como que pra provar sua tese Ela sorri Ele a admira Ela abaixa a cabeça timidamente Ele diz que faz faculdade de Direito Ela diz que tudo que ela mais quer é ser advogada Ele diz que tudo que ele mais quer é desistir da faculdade Ela pergunta se ele gosta de ler Ele diz que nunca terminou de ler um livro na vida Ela diz que já perdeu as contas de quantos leu Ele pergunta se ela gosta de surfar Ela diz que tem hidrofobia Ele abaixa a cabeça desesperançoso de encontrar alguma afinidade Ela diz que ele tem diante dos olhos uma paisagem muito linda pra ficar olhando pro chão Ele levanta a cabeça e diz que ama a natureza Ela diz que tambem ama Ele pergunta se ela gosta de acampar Ela diz que não Ele perde as esperança de vez Ela diz que não pode dizer que sim porque nunca acampou mas morre de vontade Ele sorri que nem criança Ela diz que ele tem um sorriso lindo Ele agradece sem nenhuma timidez...Os olhares se cruzam novamente Ele se aproxima dela Ela continua parada Ele a beija Ela o beija...As diferenças agora não importam...
Ele diz que vai ensinar ela a nadar Ela promete se esforçar se ele le um livro indicado por ela Ele acha justo...Ela diz que tem que ir embora Ele diz que ainda é cedo Ela diz que precisa ir Ele lhe da o numero de seu telefone celular Ela da o numero de seu telefone residencial...Ele no caminho de volta ao metro para numa livraria e compra o livro que se despedaçou no esbarrão Ela procura a pagina que voou pra ler o que estava escrito Ele pega o livro da mão dela acha a pagina e arranca Ela tenta inutilmente impedi lo Ele amassa a folha sem ler,joga fora e diz apontando para os livros que agora eles tinham algo em comum Ela fica aborrecida pelo desperdicio Ele pergunta se ela quer reescrever essa pagina com ele Ela aceita num sorriso Ele a abraça e em seu ouvido pergunta se já disse que ela tem um sorriso lindo...
Eles se despedem Ela vai pra casa dormir Ele vai surfar Ela não consegue dormir Ele não consegue surfar Ela liga pro celular dele Ele liga pra casa dela...Ocupado... Será que um dia eles se esbarram novamente...


MÃO DO DESTINO

Vive em algum lugar
A pessoa mais linda
Que o mundo já revelou pra mim,
Ah, se vive, sei que vive...

Livre por aí
Seu olhar ilumina
E libertará meu desejo de amar,
Serei livre, eu serei livre...

E de fato era dessa forma que eu imaginava,
Ela andava livre pelas ruas,
E por ela a própria luz se iluminava.
Lembra um filme ou um livro que já li,
Frase que ouvi: sempre te amei, nunca te vi,
Sempre te amei, nunca te vi.
E eu sabia que ela também já me procurava...

Acho que vou tentar
Mais uma vez me aventurar,
Por tudo que o amor me dá,
Tantos motivos pra sonhar.

É brilho de estrela,
Eu não sei porque,
Mas seus olhos me trazem o mar.

É mão do destino,
Eu não sei porque,
Mas seus olhos me trazem o céu.

É brilho de estrela,
Eu não sei porque,
Mas seus olhos me trazem a paz.

É mão do destino,
Eu não sei porque,
Mas seus olhos me trazem mel.

Jorge Vercilo

quinta-feira, agosto 10, 2006

ONE LAST CRY

My shattered dreams and broken heart
Are mending on the shelf I saw you holding hands
Standing close to someone else
Now I sit all alone
Wishing all my feeling was gone I gave my best to you
Nothing for me to do
But have one last cry
One last cry
Before I leave it all behind I've gotta put you out of my mind this time
Stop living a lie I guess I'm down to my last cry I was here you were there
Guess we never could agree
While the sun shines on you I need some love to rain on me
Still I sit all alone
Wishing all my feeling was gone
Gotta get over you Nothing for me to do
But have one last cry
One last cry
Before I leave it all behind I've gotta put you out of my mind this time
Stop living a lie I know I’ve gotta be strong
‘Cause ‘round me life goes on and on and on and on
But have one last cry
One last cry
Before I leave it all behind I've gotta put you out of my mind for the very last time
Been living a lie I guess I'm down I guess I'm down I guess I'm down To my last cry

TRADUÇÃO

Um último choro

Meus sonhos destruídos e coração partido
Estão se recuperando
Eu te vi, de mãos dadas, de pé
Perto de outro alguém
Ainda estou sentado sozinho
Desejando o desaparecimento de meus sentimentos
Eu dei o meu melhor para você
Não há nada melhor a fazer
A não ser chorar pela última vez

Um último choro
Antes de deixar tudo para trás
Vou expulsá-lo de minha mente
Dessa vez, acredite que eu...
Eu acho que terei um último choro

Eu estava aqui, você estava lá
Acho que nunca concordamos
Enquanto o sol brilhava em você
Eu preciso que o amor me espere
Ainda estou sentado, sozinho
Desejando o desaparecimento de meus sentimentos
Tenho que superá-la (tenho que superá-la)
Não há nada para mim
A não ser chorar pela última vez

Um último choro
Antes de deixar tudo para trás
Vou expulsá-lo de minha mente
Dessa vez, acredite que eu...
Eu sei que preciso ser forte
Porque minha vida toda continua

Vou secar os olhos
Logo depois de chorar pela última vez
Um último choro
Antes de deixar tudo para trás
Vou expulsá-lo de minha mente
Dessa vez, acredite que eu...
Acho que terei, acho que terei
Acho que terei um último choro

Composição: Brian McNight, Brandon Barnes e Melanie Barnes

Um ultimo choro por um ultimo amor
Ou quem sabe não será um ultimo amor
Mas também não será o ultimo choro

Será que o amor compensa as lagrimas
Não seria melhor evitar chorar
Não seria melhor evitar amar...

sexta-feira, agosto 04, 2006

QUEM É ELA?


Ela é aquela
Aquela que não dá pra ficar com raiva
Que me mata de saudades
E nem percebe

Ela é a do telefone ocupado
A tal super solicitada
Que nunca entende o que eu digo
Mas sempre entende o que eu não digo

A que não chora na frente das pessoas
Mas é sensível por dentro e por fora
Aquela que não é preciso lente
Dá pra ver a olho nu de tão transparente

Aquela do melhor minuto,da melhor hora
Do melhor dia,da melhor semana
Do melhor mês e do melhor ano

Aquela que eu conheço como a palma da minha mão
Mas que ainda me surpreende com um tapa ou um carinho
A que me chama de "chata" a todo momento
É a mesma que me diz "eu te amo" também a todo momento

A que eu queria ter só pra mim
Mas tenho que dividir com o mundo
É a tal das obsessões
Companheira da novela e do pedalinho

Ela é a implicante que não me empresta o travesseiro
Ela é a que me empresta o casaco e fica com frio
Que me da a sombrinha e vai na chuva
Ela é a que sempre me espera
E a que pede desculpa quando se atrasa

Ela não mora na minha casa
Não trabalha comigo
Não lê meus livros
Nem ao menos compartilha dos meus planos
Mas sem ela o meu mundo não seria completo
Ou melhor eu não seria completa...

E aí adivinhou quem é ela?

quarta-feira, agosto 02, 2006

QUANDO A GENTE AMA

Quem vai dizer ao coração,
Que a paixão não é loucura
Mesmo que pareça
Insano acreditar

Me apaixonei por um olhar
Por um gesto de ternura
Mesmo sem palavra
Alguma pra falar

Meu amor,a vida passa num instante
E um instante é muito pouco pra sonhar

Quando a gente ama,
Simplesmente ama
É impossível explicar
Quando a gente ama
Simplesmente ama!


Oswaldo Montenegro

terça-feira, agosto 01, 2006

TEU RISO

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Pablo Neruda

quinta-feira, julho 27, 2006

SE PUDER SEM MEDO


Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava
Pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo
Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
Pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo
Deixa a luz do quarto acesa a porta entreaberta
O lençol amarrotado mesmo que vazio
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta
Só na minha voz não mexa eu mesmo silencio
Deixa o coração falar o que eu calei um dia
Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia
Deixa tudo como está e se puder, sem medo
Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço
Deixa e quando não voltar eu finjo que não importa
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito
Pra dizer te vendo ir fechando atrás da porta
Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso
Deixa o meu olhar doente pousado na mesa
Deixa ali teu endereço qualquer coisa aviso
Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa
Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo
Se o adeus demora a dor no coração se expande
Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa
Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência
Deixa a minha insanidade é tudo que me resta
Deixa eu por à prova toda minha resistência
Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro
Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila
Deixa pendurada a calça de brim desbotado
Que como esse nosso amor ao menor vento oscila
Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa
Deixa um último recado na casa vizinha
Deixa de sofisma e vamos ao que interessa
Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha
Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava

Oswaldo Montenegro

terça-feira, julho 25, 2006

A VOZ


A voz
Sim aquela voz
Que já me trouxe tanta alegria
Que já me trouxe tanta agonia

A voz
Sim a mesma voz
Que me fez acreditar no amor
Que me fez experimentar o horror

A voz
Sim a doce voz
Que me deu uma gota de verdade
Que me deu um oceano de mentiras

A voz
Sim a ingrata voz
Que me mostrou tranquilidade
Que me mostrou insanidade

A voz
Sim a dona voz
Que me incentivou a fazer planos
Que me fez desistir do meu sonho

A voz
Sim amorosa voz
Que já não me engana mais
Porque hoje sei do que é capaz
Aquela mesma doce e ingrata dona...
Não apenas da voz

domingo, julho 23, 2006

SAUDADES

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

Pablo Neruda

sábado, julho 22, 2006

INFINITO PARTICULAR


Eis o melhor e o pior de mim

O meu termômetro, o meu quilate
Vem cara, me retrate

Não é impossível
Eu não sou difícil de ler

Faça sua parte

Eu sou daqui e não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta-bandeira de mim

Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular

Em alguns instantes

Sou pequenina e também gigante
Vem cara, se declara

O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder

Olha minha cara

É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo

A água é potável
Daqui você pode beber

Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular


Arnaldo Antunes Marisa Monte Carlinhos Brown

quinta-feira, julho 20, 2006

O DIA EM QUE VOLTEI A ANDAR ...


Quanto tempo não colocava os pés no chão
Já tinha esquecido dessa sensação
Eu sempre gostei de voar
Até o dia que não consegui pousar

O dia em que um anjo me empurrou
Bruscamente me ensinou
Que flores devem na terra se fincar
E que o chão é muito distante do ar

Nesse dia descobri o que é dor
Dor de querer e não poder voltar
Dor de não encontrar meu lugar
Naquela interminavél distancia
Que separa o chão do ar

Tanto espaço pra pousar
E nenhum rosto conhecido
Pra me acenar
Acenar qual é o lugar
Me ensinar onde devo parar

Foi assim que entendi
Que só conhecia desconhecido
Foi assim que percebi
Que o meu lugar havia sumido

Cortei as asas da minha ilusão
As asas que me fizeram vagar
O que adianta tocar a imensidão
Se não souber pousar
Se não souber pisar no chão

Aceitei ter que recomeçar
Aprendi que antes de ter asas
Preciso adquirir raizes
Aprendi que antes de voar
Preciso ter pra onde voltar

No dia que voltei a andar
Entendi que flores sobrevivem no chão
E anjos precisam estar no ar
Sim é inquestionavél
O chão é absurdamente distante do ar
Flores e anjos não podem se amar

O céu e a terra nunca vão se tocar
Não posso esperar voce andar
Cortei minhas asas não posso voar
Acabou!Finalmente meus pés estäo no chão
No fatidico dia em que voltei a andar
No fatidico dia que sosseguei meu coração

Afinal flores e anjos não podem se amar...

quarta-feira, julho 19, 2006

POSSO ESCREVER...


Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Escrever, por exemplo: “A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros, ao longe”.

O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a quis, e às vezes ela também me quis...

Em noites como esta eu a tive entre os meus braços.
A beijei tantas vezes debaixo o céu infinito.

Ela me quis, às vezes eu também a queria.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.

Que importa que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
Minha alma não se contenta com tê-la perdido.

Como para aproximá-la meu olhar a procura.
Meu coração a procura, e ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.
Nós, os de então, já não somos os mesmos.

Já não a quero, é verdade, mas quanto a quis.
Minha voz procurava o vento para tocar o seu ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.

Já não a quero, é verdade, mas talvez a quero.
É tão curto o amor, e é tão longe o esquecimento.

Porque em noites como esta eu a tive entre os meus braços,
minha alma não se contenta com tê-la perdido.

Ainda que esta seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

Pablo Neruda

domingo, julho 16, 2006

QUEIXA

Um amor assim delicado
Você pega e despreza
Não devia ter despertado
Ajoelha e não reza

Dessa coisa que mete medo
Pela sua grandeza
Não sou o único culpado
Disso eu tenho a certeza

Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diz onde eu vou
Senhora, serpente, princesa

Um amor assim violento
Quando torna-se mágoa
É o avesso de um sentimento
Oceano sem água

Ondas, desejo de vingança
Dessa desnatureza
Bateu forte sem esperança
Contra a tua dureza

Um amor assim delicado
Nenhum homem daria
Talvez tenha sido pecado
Apostar na alegria

Você pensa que eu tenho tudo
E vazio me deixa
Mas Deus não quer que eu fique mudo
E eu te grito esta queixa

Caetano Veloso

domingo, julho 09, 2006

INSPIRAÇÃO


Quanto tempo não faço uma poesia
Uma poesia dessas sem compromisso
Papel e caneta em punho
Tenho o suficiente

Mas e a Inspiração?
Pra onde foi a danada?
Como essa menina é faceira
Vive se escondendo

Já olhou no armário?
Ela adora brincar com as minhas roupas
Calçar os meus sapatos
Passar minha maqueagem
Diz que já é mulher de verdade

Pode estar no porta jóias
Está sempre com sua mania de grandeza
É tão criança ainda acha que a beleza
Está unida ao brilho da riqueza

Olha ali entre os meus livros
É muito inteligente
Está sempre debruçada nessas páginas
Apesar de ainda nem saber ler
Como é curiosa a guria
Daqui a pouco está escrevendo seu nome

Será que está na cozinha
Vou procurar lá
Quem sabe deu fome
Espero que sim
Anda tão magrinha
Quero ela forte
Pra que creça saudavél

Não está lá
Já estou preocupada
Onde se meteu essa pestinha?
Vou lhe dar umas palmadas
Precisa criar responsabilidade
Sempre que preciso dela desaparece

-Porque esta tão palido?
-É por causa da Inspiração
-Cade ela?Encontrou a travessa?
-Sim,mas houve uma desgraça
-O que foi?
-Esqueci a janela aberta e a Inspiração...
-Oh meu Deus! Não!

Lápide de Inspiração:
Jaz em paz e prematuramente o unico sonho de toda uma vida:
Ser Poeta